Onde tem Brasil, tem coração

Essa semana começa o maior torneio do mundo. E não é de futebol.

Flavia Cabral

3/3/20263 min read

Meu filho, que joga a modalidade por Atibaia, tem vários mestres que estarão escalados contra nomes lendários como Shohei Ohtani, Aaron Judge, Yoshinobu Yamamoto, Vladmir Guerrero e Will Smith. Imagine o que significa, para uma criança de 11 anos que sonha em jogar beisebol profissionalmente, estar tão perto de quem tanto admira.

Esses meninos que hoje brilham em campo defendendo nosso país ensinaram, torceram e até zoaram com meu filho nesses quase quatro anos em que Nico vive o esporte. Viram-no treinar todos os dias. Deram dicas, técnica, força, sonho e a vontade de seguir em frente.

Nós, como pais, vimos esses atletas crescerem, melhorarem, evoluírem. Assinarem contratos, passarem em seleções, jogarem aqui no Estádio Mie Nishi, em São Paulo. Alguns sentavam ao nosso lado para explicar um jogo que ainda não entendíamos direito — com paciência, sorriso e generosidade. Outros chamavam-nos para conversar por causa da bagunça do Nico. E todos apoiam, torcem e acompanham meu menino pelos campos do Brasil.

Tem algo de mágico ver essas pessoas, tão próximas da nossa realidade, chegando àquele palco junto com os melhores jogadores do mundo. Não é futebol, como alguns insistem em questionar. Parece que não está na nossa cultura. Mas existe e está aqui, vivo. E temos vontade de gritar por todos os lados: é beisebol, sim! A gente ama demais. E é Brasil também. Aliás, é muito Brasil.

E quando nosso país entra em campo, meus caros leotires, vocês sabem que entra junto a nossa torcida e o nosso coração. O sorriso fica tão grande que a bochecha chega a doer. Falta o fôlego para respirar. E os olhos se enchem de lágrimas, como os meus agora, enquanto escrevo este texto.

Carregando no peito uma camisa verde e amarela (ou azul e branca, no caso da nossa seleção de beisebol) e os sonhos dos nossos filhos. Dos meninos de 8, 9, 11, 16 anos que treinam imaginando chegar lá. E do meu menino, que joga desde os 7 anos e segue firme, apaixonado, persistente.

Torcemos muito para que nossos guerreiros consigam usar esse evento como plataforma, como ponte, como trampolim para realizar os próprios sonhos também. Porque cada um que chega lá alimenta a chama das crianças e abre portas onde antes parecia não haver caminho. E porque eles merecem demais.

No fim, aquele campo no Texas está intrinsecamente ligado às pequenas gaiolas de treino daqui, às tardes em Atibaia, Marília, em Campinas. Aos meninos que ainda estão aprendendo a segurar o taco direito, a lançar um strike bem feito e que, contra tudo e todos, chegaram a esse esporte quase sem tradição por aqui.

É assim que o nosso beisebol cresce onde o solo parece árido: um menino ensinando o outro, um sensei acreditando, e um sonho que começa pequeno — mas que, às vezes, chega bem perto do palco do World Baseball Classic.

Boa sorte, seleção! Nico e nós, pais, estaremos torcendo com tudo desde o primeiro jogo. Vamos pra cima com alegria, com amizade, com vontade.

Porque aqui é Brasil.

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Nesta sexta-feira, dia 6 de março, o Brasil entra em campo para estrear na Copa do Mundo de beisebol: o World Baseball Classic (WBC). Nossos atletas estarão no Texas, lado a lado com as principais seleções do planeta, enfrentando logo de cara os donos da casa e favoritos ao título, os Estados Unidos.

Não é apenas a existência de uma seleção brasileira de beisebol que nos enche de orgulho. O que realmente emociona é ver, ali em campo, senseis e amigos que acompanharam — e ainda acompanham — os meninos da base aqui no Brasil. Pessoas próximas, rostos conhecidos, gente que vimos crescer.

A seleção brasileira de beisebol comemora a classificação para o WBC

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